Aceitação sim, mas há limite

Aceitação sim, mas há limite

O Tantra é a filosofia da aceitação, isso inclui aceitação de si mesmo e do diferente de você. Mas tem limite.

Práticas que possam constranger ou violentar alguém ou a você mesmo devem ser claramente repudiadas.

Aceitação é a base do Tantra, não apenas a aceitação de seu próprio modo de ser mas também do jeito diferente do outro. Não há duas coisas iguais neste mundo, e nem pessoas iguais, por isso a aceitação da diferença, seja de opção sexual, seja de credo ou de preferências comportamentais é também uma postura de respeito à vida como ela é.

Mas há um limite nessa aceitação. O limite é quando um comportamento gera violência sobre a outra pessoa, tanto física, psicológica ou moral, como o bullying ou a difamação. Nossa posição no Neotantra é de claro repúdio quando um comportamento invade essa linha limítrofe.

As práticas sadomasoquistas, por exemplo, podem ser excitantes sexualmente quando feitas com total aceitação de ambos os parceiros. Quando extrapola o limite de um deles, podem se transformar em algo violento e constrangedor. Não há por que aceitar uma prática que não o agrade, que, em vez de excitar, traz um sentimento de repulsão. Não é por que você tem uma visão tântrica ou de aceitação da vida como ela é, que você vai permitir um ato constrangedor do parceiro sobre você.

Aceitação e naturalidade

Lembro que o Tantra também valoriza a naturalidade, o natural, espontâneo, sincero. Quando você se sentir  violentada(o), agredida(o), constrangida(o) por outra pessoa, seja natural e expresse sua repulsa. Pessoas espiritualizadas muitas vezes, para não gerar mais conflito na relação, tendem a aceitar certos hábitos ou comportamento que a agridem de alguma forma, sutil ou não.  Relacionamentos assim tendem a ficar desequilibrados na questão do poder,  e essa assimetria vai gerando revolta silenciosa naquele que está submisso. É uma emoção bastante tóxica para si mesmo e para a relação.

É importante lembrar as palavras de Osho: “sempre que você desrespeita o seu corpo, você está perdendo contato com a realidade, porque o seu corpo é o seu contato, o corpo é a sua ponte. O corpo é o seu templo.”

Por isso é preciso saber não aceitar, dizer um sonoro não para essas situações. E não apenas em situações sexuais e sim nas situações de vida. Aqui nesse espaço falamos mais dos relacionamentos sexuais, mas a filosofia tântrica vai muito além disso. Muitas pessoas vivem sem parceiro, gostam desse estado e seguem curtindo a vida.  Tem gente que não faz questão de sexo, estão felizes sem ele. O tema da aceitação é para reflexão de todos.

Quando a gente compreende e aceita “os diferentes da gente” – sejam sadomasôs, bi, transexuais, assexuados, seja lá qual preferência alguém tenha – , é praticamente impossível  sair da nossa boca qualquer comentário preconceituoso ou que possa constranger outra pessoa. Aceitando o outro você terá de volta o respeito dele. Tirando esse obstáculo, o relacionamento pode fluir melhor e o encontro se tornar mais profundo. E isso serve também para os relacionamentos sociais, de trabalho etc. Quanto mais aceitação e naturalidade forem praticadas mais harmonia terão nossos relacionamentos.

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