Cirurgia íntima – moda ou necessidade?

Cirurgia íntima – moda ou necessidade?

A preocupação com a estética dos lábios vaginais fez explodir as chamadas cirurgias íntimas no Brasil. Por que esse assunto importa para nós?

Um assunto está chamado atenção da mídia e também de alguns leitores nossos, que gostariam de uma abordagem sob a luz do Tantra: a explosão no número de cirurgias plásticas dos lábios vaginais, com o objetivo de melhorar sua aparência, a tal da labioplastia. As opiniões variam muito sobre essa questão e vão desde uma neurose feminina com relação à estética até o empoderamento sexual das mulheres.

Primeiro os dados: o número de mulheres no Brasil que fizeram a cirurgia cresceu 80% em 2016, atingindo a marca de 23.155, o número mais alto do mundo. Para comparar, nesse mesmo ano os EUA registraram 13.266 procedimentos. O Brasil é o campeão mundial disparado, apesar da crise econômica.

Não é simples analisar esse assunto porque envolve motivos distintos para as mulheres quererem fazer a chamada cirurgia íntima. Alguns procedem, como nos casos de saúde ou deformações que causam baixa autoestima ou auto rejeição. Mas o que impressiona é um outro motivo: mulheres e meninas jovens que querem simplesmente melhorar a estética vaginal, para ficar na moda. Nesses casos, estudiosos apontam forte influência da pornografia e da cultura de ‘nudes’. Junte-se a isso a facilidade tecnológica e poder aquisitivo e pronto, explodem as cirurgias não necessárias, assim como acontece com a proliferação do uso de silicone nos seios e as nas nádegas.

Cirurgia íntima – moda ou necessidade?Coisas do mundo atual, do Brasil principalmente, que hipervaloriza o corpo feminino – promovendo modismos que mudam cada vez mais rápido. Nós, do Neotantra, achamos que a preocupação excessiva com padrões estéticos, mesmo para agradar o outro ou os parceiros que virão, só alimenta o individualismo e o culto ao próprio corpo que, em vez de aproximar, acaba criando distanciamento durante o ato sexual. E o que é pior, a pessoa acaba virando escrava da ditadura da moda. O Tantra ensina justamente o contrário, é uma filosofia de liberdade, de libertação através da consciência do corpo, da mente, das emoções e do instinto.

Se a pessoa quer melhorar sua atratividade, buscando agradar ou conquistar alguém, há muito o que fazer interiormente e no comportamento tanto na cama quanto fora dela (veja: A arte de se amar), antes de gastar dinheiro recorrendo a procedimentos invasivos no corpo. E é preciso que os jovens – principalmente – prestem mais atenção nisso.

Quando uma pessoa se interessa por alguém, ou a deseja, não são as pequenas e perfeitas “imperfeições” físicas que irão atrapalhar, eles são fatores de menor importância em uma relação a dois. Levar isso em consideração ajuda a não entrar em parafuso por causa dos “defeitinhos”.

Um relacionamento que estremece por causa dos “defeitinhos” não pode ter profundidade. Uma pessoa que se incomoda com suas pequenas e perfeitas imperfeições físicas e/ou com as do outro ainda não amadureceu e não está pronta para os mergulhos mais profundos da vida tântrica.

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