A liberdade dos homens está em jogo?

A liberdade dos homens está em jogo?

Qual o limite entre a cantada e o assédio? E entre a autocontenção masculina e a repressão? Veja por que consideramos os manifestos das atrizes americanas e o das francesas complementares e não antagônicos.

A manifestação da Ophra  Winfrey na entrega do Globo de Ouro, dando voz aos sentimentos das mulheres que foram assediadas em Hollywood – reunidas no movimento #me too -, teve grande impacto na mídia. Foi um discurso forte em defesa do direito das mulheres e um marco no posicionamento feminino em relação aos assédios e humilhações impostos pela força ou pelo poder masculino.

Tratamos desse assunto em nosso artigo anterior e voltamos nele porque, alguns dias depois do discurso da Ophra, cerca de cem mulheres francesas, tendo como representante a atriz Catherine Deneuve, assinaram um manifesto contra o movimento das atrizes americanas, chamando a atenção para o risco de um pretenso puritanismo nas denúncias, falsa vitimização e ameaça à liberdade sexual conquistada pelas mulheres nas últimas décadas. Foi no mínimo surpreendente tal posicionamento, e a discussão pegou fogo entre as mulheres e também entre os homens.

De nossa parte, e tendo sempre a visão tântrica para nos guiar no meio desse tiroteio, achamos por bem fazer algumas reflexões. Em primeiro lugar, não consideramos as duas posições antagônicas e sim complementares. Esse ponto de vista nos permite analisar o assunto de uma maneira menos apaixonada. Seria como dizer que os dois movimentos têm a sua verdade.

De um lado é absolutamente verdadeiro que a sociedade já não pode mais conviver e permitir que qualquer pessoa (aqui no caso os homens) faça uso de sua posição de poder para humilhar ou assediar um subalterno ou uma pessoa que está em uma situação mais frágil. Como as mulheres são as maiores vítimas, têm toda a razão para exigir um basta! e alardear e criar movimentos etc. Por outro lado, existe o risco de intimidação do comportamento masculino, gerando um puritanismo politicamente correto, a ponto de também desagradar a maior parte das mulheres.

A ‘cantada’ está em risco?

Os homens, quando estão a fim de uma mulher, começando uma paquera, arriscam uma abordagem qualquer para sentir a reação da parte dela; podem acertar, podem errar, ou podem ir melhorando a pontaria conforme conheçam melhor seu alvo (sentido figurado, claro). Se, nesse momento, o homem se sentir patrulhado, sua liberdade para abordar uma mulher estará em jogo, e inibirá ainda mais seu comportamento diante dela. Muitos homens, na dúvida, estão se desinteressando das ‘cantadas’, o que é uma pena! Quem perde com isso, são os dois, homens e mulheres, que verão diminuir sua liberdade individual. Essa é uma das preocupações das francesas.

Por esse motivo, os dois manifestos, o das americanas e o das francesas, precisam estar juntos, um complementando o outro. O homem deve saber exatamente qual é o limite entre a abordagem mais íntima, não agressiva, e o assédio ou a ofensa. O recado é para os homens, principalmente àqueles que estão em posição superior nos ambientes de trabalho – a partir de agora, é preciso muito mais cuidado, respeito e sensibilidade com as mulheres (Leia , O novo homem).

E é isso que o Tantra sempre ressaltou, uma postura de respeito e de empatia com o sentimento do outro, exercitar o reconhecimento das preferências do parceiro ou da parceira e sempre fazer uma pergunta simples: “do que ele/ela gosta? ” Assim, o risco de errar é menor e a liberdade estará assegurada.

Conheça o e-book: Práticas tântricas para a realização da mulher

  • Compartilhe!